Antônio Conselheiro e a Guerra de Canudos

Antônio Vicente Mendes Maciel nasceu em Quixeramobim no sertão central do Ceará, no ano de 1828. Filho de Vicente Mendes Maciel e Maria Joaquina de Jesus, conhecida pelos amigos por Maria China. embora de origem modesta, os Maciéis tiveram de enfrentar o poderio dos Araújos, que dispunham de muitas terras entre as ribeiras do Banabuiu e do Quixeramobim.


Eis a casa onde Antônio Conselheiro nasceu, ela fica na Rua Cônego Aureliano Mota, 210
A luta teve início quando os Maciéis foram acusados pelos Araújos de furtos em suas propriedades. Em 1833 os Arújos planejaram uma chacina, onde o avô paterno de Antônio Conselheiro, Miguel Carlos Maciel, ficou totalmente estraçalhado pelas balas dos inimigos. A questão se tornou mais violenta ainda em 1935, quando o juiz Dr. José Antônio Pereira Ibiapina, assumiu a comarca de Quixeramobim por pouco tempo. Naquela época os sertanejos eram massacrados pelos grandes donos de terra e o juiz Ibiapina se posicionou fortemente a favor dos injustiçados Maciéis.
Antônio Vicente Mendes Maciel e suas duas irmãs ficaram órfãos de mãe. Em fevereiro de 1837, o viúvo Vicente Maciel casou-se com Francisca Maria da Conceição e tiveram dois filhos. Ao concluir a alfabetização, Conselheiro passou a estudar gramática portuguesa, francês e latim na escola do professor "Antônio Ferreira Nobre" em Quixeramobim. Com a morte de seu pai em 1855, Antônio Conselheiro assumiu a tutela de suas duas irmãs e o pequeno comércio de seu pai, que se encontrava arruinado, tendo que vender a casa para pagar as dívidas. Em 1856 as irmãs de Conselheiro se casam, e em janeiro de 1857 o Conselheiro contrai matrimônio com Brasilina Laurentina de Lima na Matriz de Santo Antônio em Quixeramobim. Neste mesmo ano deixaram a cidade de Quixeramobim e passaram a morar na fazenda Tigre, exercendo papel de professor. Em 1860, juntamente com Brasilina e os dois filhos percorreram Tamboril Campo Grande, fixando-se em Ipu onde assumiu a função de requerente do Fórum. No ano de 1861, Conselheiro foi vítima da traição de Brasilina que passou a viver em Ipu com o soldado João da Mata. Ficando bastante difícil continuar viver em Ipu, pois além da separação conjugal estava muito difícil continuar lutando contra as autoridades locais desde uma vez que seu trabalho era defender os necessitados, os perseguidos, as vítimas da prepotência dos poderosos. Aprendera, desde cedo, com a luta entre os Maciéis e os Araújos, a desconfiar das autoridades que falavam em justiça, enquanto apaziguavam o crime. Compreendia que era preciso modificar a ordem social. as experiências adquiridas no Fórum fortaleceu mais as idéias que surgiam em seu cérebro, que logo, depois lhe deram uma "missão apostolar".
De 1861 a 1863, permaneceu em Tamboril como professor primário depois passa a morar em Santa Quitéria, onde por 2 anos conviveu com Joana Imaginária(escultora em cerâmica e madeira), desta união nasceu um filho, Joaquim Aprígio. Conselheiro revela a Joana o sonho de abandonar tudo e sair pelo mundo afora guiando os sertanejos nordestinos para um lugar livre da dominação dos poderosos. Joana não aceita o convite, permanece em Santa Quitéria com o filho. conselheiro se despede dos 2 e segue uma nova vida: a vida de "peregrino nordestino".
Antônio Conselheiro atuou como Conselheiro e guia dos nordestinos de 1865 em diante, faz desobriga entre os dispossuidores do Ceará, deslocando-a para região do Cariri. Provavelmente em 1865, quando o Pe. Ibiapina visitava Missão Velha o Conselheiro encontrou-se com o sacerdote.
Segundo Edmundo Muniz - o Conselheiro nesta época encontrou oportunidade para trocar idéias com Ibiapina, e ouvir as suas "audaciosas" pregações, tornando-o como exemplo para a vida que iria adotar. Para o escritor baiano: " pode-se dizer que o Pe. Ibiapina foi o precursor de Antônio Conselheiro".
Deixando definitivamente em 1871, as veredas de Quixeramobim, sai a procura de justiça social, evangelizando os mal-aventurados sertanejos, sustentáculos econômicos dos poderosos latifundiários, construindo cemitérios e igrejas.
De 1871 a 1874 sua peregrinação serve para divulgar seu objetivo de vida que era o de igualdade e fraternidade para todos, sem distinção de sexo ou de raça.
Com 47 anos de idade Conselheiro foi preso nos sertões da Bahia, fato que muito inquietou a população. As autoridades baianas mandaram o "conselheiro" para o Ceará recomendando que não deixassem ele voltar para a Bahia, pois os padres não o viam com bons olhos.
Chegando a Fortaleza bastante torturado, se encontrava magro, maltratado. Em julho de 1876 libertaram, de tudo ele tirava uma ensinamento, continuando sua missão que era a de assistir as populações desamparadas.
O Conselheiro juntamente com seus adeptos seguiam os mesmos passos do catolicismo, cumpriam as mesmas obrigações. Apesar de não possuir conhecimento profundo sobre teologia, dominava bem as escrituras. De modo geral Conselheiro falava dos ensinamentos de Cristo e de seus designos, sem dar importância ao que diziam os padres, sempre " favoráveis" aos poderosos.
A expansão do movimento liderado por Conselheiro causou forte apreensão no clero da Bahia. O bispo determinava que os vigário proibissem expressamente que os fiéis se reunissem para ouvir as pregações. Perante tal atitude aumentou mais o número de adeptos, passando com Dom Luís a agir com maior rigor envia correspondência ao presidente da Bahia, exigindo providências enérgicas contra Conselheiro, o prelado insinuava ao estado o uso da repressão policial ao movimento. Nesta época surgiu a notícia de internar o Conselheiro no asilo de loucos no Rio de Janeiro.
O primeiro choque com a polícia foi em 1893, quando Antônio Conselheiro queimou os editais de cobrança de impostos municipais, determinado pelo governo federal.
A implantação do regime republicano não modificou a situação das famílias dos trabalhadores do campo, que representava naquela época mais de 2/3 da população brasileira. as grandes propriedades continuavam imperando tanto no litoral como no interior.
No Nordeste, estagnado economicamente, a situação agravava-se conseqüências das terríveis secas que se sucederam no final do século passado. Perseguidos pela polícia, Antônio Conselheiro e seus seguidores refugiram-se em canudos, no Norte da Bahia. Ali de 1893 a 1897, cerca de 30.000 sertanejos, liderados pelo conselheiro, viveram em comunidade, plantando e criando rebanhos, até serem massacrados pelos soldados do governo.
No sertão nordestino, no final do século passado, o que se via eram centenas de milhares de trabalhadores precisando trabalhar e não encontravam trabalho. As grandes fazendas davam emprego a pouca gente e, quando precisavam de mais braços para as colheitas, iam as chamadas feiras de trabalhadores e escolhiam os mais fortes. Os salários eram baixíssimos, perante tal situação Canudos eram um paraíso: os rebanhos, as pastagens e as colheitas pertenciam a todos, não haviam patrões nem empregados, nem ricos e nem pobres. as feiras de trabalhadores começaram a desaparecer, todos iam para Canudos em busca de dias melhores. Como é que o governo poderia aceitar tal realidade?
Um outro grave problema transformou a destruição de canudos numa questão de honra, tanto para lideranças estaduais quanto para o governo federal, ao lado das idéias religiosas o conselheiro atacava o governo federal e ainda o Conselheiro assumia total liderança entre seus inúmeros adeptos, que lhe obedeciam cegamente, inclusive na hora de votar. Parecia necessário acabar, com o poderio absoluto dos coronéis.
Foram 4 expedições para derrotar e destruir Canudos, sendo 2 estaduais e 2 federais.
A imprensa baiana começou a mandar notícias alarmantes para o Rio, dizia que o Conselheiro era monarquista e os sertanejos eram bárbaros. Na verdade, o Conselheiro era contra a República, pois não via melhoria para o povo sofrido.
Baseado em tais o governo enviou a primeira expedição, não teve êxito. a segunda expedição partiu triunfante contando com a vitória, acha a coisa mais fácil derrotar Canudos, escondidos entre os arbustos nas grutas e nas pedras, os sertanejos transformavam em fraqueza a força da repressão. Os poderosos canhões lá ficaram abandonados.
Para o governo federal foi uma vergonha, precisava por fim nisso. Os canudenses defenderam sua comunidade com unhas e dentes. sem armas enfrentavam os soldados do governo com facões, foices, enxadas. Por três vezes as tropas do governo foram derrotadas. Mobilizou sete mil homens, com o próprio ministro da guerra dirigindo e três generais no comando, era preciso salvar a República e no dia 24 de setembro de 1897, canudos estava cercado. Foram dez dias de lutas encarniçadas, homem a homem. Só no dia 5 de outubro caíram os últimos defensores da cidade em chamas.
Canudos não se rendeu, resistiu até ao esgotamento completo. O movimento de Canudos foi o único na história do Brasil que não houve participação das "elites".


[Página Principal] [Evolução Política] [Aspectos Gerais] [Agricultura] [Aspectos Humanos]
[Fatos Históricos] [Antônio Conselheiro] [Esporte e Cultura] [Curiosidades] [Turismo] [Hino de Quixeramobim] [Comentários] [Eleições 2000] [Opnião]

Copyright by Aroldo Almeida Carneiro
Contact aroldocarneiro@bol.com.br